O papel da enfermagem no enfrentamento à hanseníase 

12 de maio | Dia Internacional da Enfermagem 

Você sabia que a enfermagem é um pilar essencial para o enfrentamento à hanseníase?  A profissão, que corresponde à 70% da força de trabalho em saúde no Brasil, segundo o relatório do Ministério da Saúde “Demografia e Mercado de Trabalho em Enfermagem no Brasil” ¹, publicado em 2025, é reconhecida por ser imprescindível para o cuidado como um todo em diversas áreas da saúde. No cuidado à hanseníase não seria diferente.  

Estudos² comprovam que a atuação da enfermagem é fator determinante para o diagnóstico precoce da hanseníase. Nesta dimensão, são destaques atividades de monitoramento de pacientes da atenção primária, realização de exames físicos, identificação de sinais iniciais e encaminhamento adequado, além das atividades de educação em saúde permanente para profissionais da saúde e para população geral.  

A prática também demonstra esse papel, como explica Rebeca Duarte, enfermeira especialista em Gestão em Saúde, mestranda na área de Saúde Coletiva e assessora técnica no Departamento de Prevenção e Promoção da Saúde do Ministério da Saúde (DEPROS/SAPS/MS). Ela ressalta que a enfermagem possui inúmeras atribuições nesse contexto, tanto ratificadas pelo Ministério da Saúde quanto pelo Conselho Federal de Enfermagem.  

“Na Atenção Primária à Saúde (APS) a gente vai absorver cerca de 80 a 90% das demandas de saúde, e a hanseníase está inserida nesse processo. Então é onde a gente consegue realmente chegar na população e fazer tanto esse olhar inicial, o acolhimento e a identificação dos sinais”, informa Rebeca. 

A enfermagem tem atribuições que vão para além do processo de identificação dos casos, e do primeiro contato com possíveis casos. “Ela está muito presente justamente na identificação dos casos suspeitos e na continuidade do tratamento em si. A gente que vai permanecer ali junto da notificação, da investigação dos contatos, […] atuar diretamente até na prevenção das incapacidades físicas”, elucida a especialista.  

Conhecer as atividades que perpassam as atribuições dos profissionais da enfermagem é fundamental para conhecermos ainda mais sobre o controle da hanseníase no país. A perspectiva relatada por Rebeca Duarte ilustra um panorama que requer um cuidado multifatorial, e que inclui uma diversidade de cuidados além do tratamento medicamentoso, o que corrobora com a adesão ao tratamento.  

Reconhecer é valorizar!  

Os profissionais de enfermagem são, portanto, imprescindíveis no enfrentamento à hanseníase e outras Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs). O fortalecimento da profissão é tema prioritário na agenda da saúde pública mundial, o que é reforçado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pois a formação de novos enfermeiros, bem como a capacitação dos profissionais atuantes, faz parte do processo para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), definidos pela Organização das Nações Unidas (ONU).  

“A enfermagem sustenta o cuidado em saúde todos os dias e muitas vezes de forma silenciosa, mas extremamente potente. Sem a enfermagem não tem cuidado e sem cuidado também não há vida. A enfermagem está onde a vida acontece”, reitera Rebeca Duarte.  

Ao trazermos informações sobre os profissionais da enfermagem lembramos que o dia 12 de maio não é apenas uma data simbólica, mas uma oportunidade de reivindicar valorização de uma classe tão essencial para a saúde pública. 

Enquanto organização, a Fundação NHR Brasil reconhece e agradece por cada enfermeiro e enfermeira que vem fazendo parte da nossa missão de ajudar pessoas acometidas pela hanseníase.  

A fim de contribuir com o fortalecimento da profissão, a Fundação desenvolve, no âmbito de seus projetos, treinamentos em hanseníase voltados para equipes de enfermagem e demais profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) nos territórios de atuação da organização. A enfermagem exerce um papel fundamental e estratégico no manejo dos casos de hanseníase, como foi exemplificado acima. Dessa forma, as ações promovem educação continuada em saúde e fortalecem um olhar mais qualificado, humano e atento às especificidades do enfrentamento da hanseníase. 

“Nosso trabalho depende diretamente da atuação dos enfermeiros que estão com as pessoas acometidas pela hanseníase, com as suas famílias, no dia a dia tanto nas unidades de referência quanto nas unidades básicas de saúde, apoiando no tratamento e na recuperação desses pacientes. Além disso, nossa equipe é majoritariamente composta por enfermeiras, e isso é motivo de muito orgulho para nós.” – Ana Rita Cardoso, Diretora Executiva da Fundação NHR Brasil.  

Referências:  

¹ “Demografia e Mercado de Trabalho em Enfermagem no Brasil” – Ministério da Saúde (2025).   

² “CONTRIBUIÇÕES DO ENFERMEIRO NO ENFRENTAMENTO DA HANSENÍASE NO BRASIL: REVISÃO DE ESCOPO.” –  Maressa Smith; Letycia Luciano Lucena Alves; Camila Priscila Abdias do Nascimento. Journal of Education Science and Health, [S. l.], v. 1, n. 4, 2021. Disponível em: https://bio10publicacao.com.br/jesh/article/view/44  

“O PAPEL DA ENFERMAGEM NO DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DA HANSENÍASE: UMA REVISÃO INTEGRATIVA” – PINTO, Welberth Leandro Rabelo; RUAS, Sélen Jaqueline Souza; RIBEIRO, Claudia Danyella Alves Leão; BARBOSA, Richard Rennan Soares; ROCHA, Matheus Filipe Oliveira; PEREIRA, Marly dos Santos Guimarães; FREIRE, Anna Paula Santos; BARBOSA, Henrique Andrade.  LUMEN ET VIRTUS, [S. l.], v. 16, n. 51, p. e7027, 2025. Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/LEV/article/view/7027   

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