Fundação NHR Brasil apresenta dados preliminares do PEP++ em evento de encerramento da Pesquisa

O Encontro de Encerramento do Programa PEP++ 2025, realizado em Fortaleza (CE), reuniu especialistas, gestores, pesquisadores e lideranças comunitárias para a apresentação dos dados preliminares da pesquisa realizada pela Fundação NHR Brasil nos últimos 6 anos. O evento ocorreu na Escola de Saúde Pública do Ceará, no dia 12 de dezembro, e teve o apoio da NLR International, Secretaria da Saúde do Ceará (SESA/CE), Secretaria de Saúde de Fortaleza, Secretaria de Saúde de Sobral e da Universidade Federal do Ceará.  

A programação contou com uma sessão solene de abertura, que foi composta por Dra. Jurema Guerrieri Brandão (Coordenadora Geral de Vigilância da Hanseníase e Doenças em Eliminação DEDT/SVSA/Ministério da Saúde), Dr. Antônio Lima (Secretário Executivo de Vigilância em Saúde, SESA/CE) representado por Ana Maria Cabral, Dr. Luciano Pamplona (Superintendente da Escola de Saúde Pública, ESP/CE ), Ana Rita Cardoso (Diretora Executiva, Fundação NHR Brasil), Aymée Rocha (Coordenadora Nacional da Pesquisa PEP++, Fundação NHR Brasil), Duane Hinders (NLR Internacional), Dra. Virgínia Fernandes (Universidade Federal do Ceará), Dra. Carla Avelar Pires (Sociedade Brasileira de Dermatologia) e Elenilson Silva (Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase).  

Logo de início a fala dos convidados da mesa de abertura trouxe à tona a relevância da ocasião. Para Ana Rita Cardoso, Diretora Executiva da Fundação NHR Brasil, o evento foi de grande importância para a Organização.  

“O evento de encerramento do PEP++ não só representou o encerramento de um ciclo, mas também reacendeu a discussão nacional sobre prevenção para hanseníase, algo que vem sendo protelado no nosso país. Estamos contribuindo com a construção de evidências científicas nacionais, almejando a incorporação de novas tecnologias em prol das pessoas que sofrem com uma doença tão negligenciada”, destacou a Diretora.  

Situação epidemiológica da hanseníase e discussões sobre a quimioprofilaxia 

A ocasião foi marcada por um dia de palestras informativas e debates capacitados sobre a situação da hanseníase no Brasil e no Ceará, assim como a questão da implementação da quimioprofilaxia para a doença como política pública de prevenção.   

Dra. Jurema Guerrieri Brandão (Ministério da Saúde) apresentou uma análise do cenário epidemiológico da hanseníase no Brasil, destacando avanços, desafios persistentes e perspectivas futuras. Yolanda Morano (SESA/CE), em seguida, abordou a situação epidemiológica da doença no Ceará. 

As discussões avançaram com a apresentação de Dr. Maurício Nobre, que tratou das diretrizes da Organização Mundial da Saúde para o enfrentamento da hanseníase, com ênfase nas contribuições da quimioprofilaxia. Na sequência, Dra. Virgínia Fernandes (UFC), representada por Tisciane Gomes, compartilhou a experiência de gestão e apoio da Unidade de Práticas Clínicas da UFC ao Programa PEP++, reforçando a importância da articulação institucional para o desenvolvimento da pesquisa. 

O evento também contou com a palestrante Dra. Juliana Ramos, que destacou as contribuições do PEP++ para a construção do apoio matricial em hanseníase na Atenção Primária à Saúde em Fortaleza, e Dra. Cristiane Frota que apresentou o papel do Laboratório de Patologia da UFC, abordando o uso racional do qPCR e os testes de resistência antimicrobiana no contexto do programa.  

Os resultados preliminares do PEP++ no Brasil foram apresentados por Aymée Rocha, Coordenadora Nacional da Pesquisa. Aymée compartilha que a finalização da pesquisa no Brasil demonstra que a integração ensino-pesquisa-serviço é possível.  Ela destaca também que o PEP++ produziu resultados além dos esperados, conseguindo fortalecer os serviços de saúde em ambos os municípios em que a pesquisa foi aplicada, Sobral e Fortaleza (Ceará), e promovendo estudos sobre estigma e o impacto social da doença.  

Para além da formação dos profissionais, e da melhora da vigilância, a pesquisa também evidenciou a importância da implementação de políticas públicas como a quimioprofilaxia como uma ferramenta adicional as existentes a fim de acelerar a interrupção da transmissão da doença. Prevenindo o avanço de casos de hanseníase e de incapacidades nas pessoas afetadas. 

“Trazer a discussão sobre a implementação da quimioprofilaxia no Brasil após 6 anos da publicação da recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é muito significativo. Pois, reforça o nosso compromisso enquanto Organização em estar alinhada a diretrizes internacionais de prevenção da hanseníase”, salienta Aymée.  

Duane Hinders, Coordenador Internacional da Pesquisa, também palestrou compartilhando uma análise inicial dos dados relacionados aos outros países participantes, destacando que os demais ainda estão finalizando a pesquisa. Duane Hinders apontou que teremos resultados gerais do estudo a partir do segundo semestre de 2026.  

O encontro foi concluído com uma mesa-redonda sobre o legado do PEP++, que debateu perspectivas para a implementação da quimioprofilaxia no Brasil, reunindo gestores, pesquisadores, profissionais de saúde e representantes de movimentos sociais. Além disso, em um momento simbólico, colaboradores da Fundação NHR Brasil e uma série de parceiros e parceiras foram homenageados por seu árduo trabalho no decorrer dos anos de pesquisa.  

Fortalecimento de lideranças políticas no engajamento da quimioprofilaxia como política pública 

Os movimentos sociais em conjunto com as lideranças políticas pela causa da hanseníase e de outras Doenças Tropicais Negligenciadas são atores essenciais pela promoção da quimioprofilaxia como uma estratégia de prevenção da doença. Por isso, nos dias 10 e 11 de dezembro, a Fundação NHR Brasil, realizou em Fortaleza (Ceará), a “Oficina de Fortalecimento de Lideranças Políticas para Engajamento na Efetivação da Quimioprofilaxia como Política Pública para a Hanseníase no Brasil”.  

O evento reuniu um coletivo de lideranças pela causa da hanseníase para dois dias de atividades imersivas voltadas ao debate, formação e construção coletiva de estratégias de advocacy pela quimioprofilaxia no Brasil. A oficina foi mediada por Raphaela Delmondes, professora da Universidade de Pernambuco (UPE), e mobilizou integrantes do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), Movimento Nacional das Doenças Negligenciadas (MNDN), Centro Maria Imaculada/ASA de Teresina/PI e do Fórum Social Brasileiro de Enfrentamento das Doenças Infecciosas e Negligenciadas. 

Como resultado dos dois dias de oficinas, o coletivo de liderança produziu um documento com reinvindicações em prol da quimioprofilaxia. A carta aberta foi lida por Paulo Rodrigues, liderança do MNDN, no evento de encerramento da Pesquisa PEP++, representando como a participação de pessoas acometidas pela hanseníase na construção de políticas públicas que busquem melhorar estratégias de prevenção da doença é imprescindível.  

Paulo compartilha que suas esperanças na prevenção da hanseníase foram renovadas após os dias de oficina e sua participação no evento de encerramento da Pesquisa. “Só em saber que nenhuma pessoa próxima de mim terá a possibilidade de ter as incapacidades físicas e a deficiência que eu tenho, me faz cada vez mais acreditar na ciência, nos estudos, nas pesquisas e na NHR Brasil”, relata ele.  

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *